Festival de Brasília: Premiação consagra Meu País e Hoje

outubro 4, 2011

Diretores e equipes dos longas-metragens Meu País e Hoje saíram consagrados do 44º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO. Ao todo, foram seis prêmios para cada um. A cerimônia foi apresentada pelos atores Murilo Grossi, que deu lugar a Sérgio Fidalgo logo após a distribuição dos prêmios especiais, e Rosanne Mulholland. E contou com interpretação musical ao vivo de uma banda formada pela nata da música instrumental brasiliense: Renato Vasconcelos (teclados), Oswaldo Amorim (contrabaixo), Leander Mota (bateria), Bruno Medina (saxofone) e Moisés Alves (trompete). A “banda do festival” acompanhou toda a cerimônia, a começar pela retrospectiva dos filmes vencedores desde a primeira edição, exibida na abertura do evento e produzida pela Fantasias Luminosas, do diretor Ronaldo Duque.

Meu País saiu com cinco prêmios oficiais e o Prêmio Vagalume, conferido por integrantes do Projeto Cinema para Cegos, da Secretaria de Cultura do DF. Ficaram para o filme de André Ristum os prêmios de Melhor Montagem, para Paulo Sacramento; Melhor Trilha Sonora, para Patrick de Jongh; Melhor Ator, para Rodrigo Santoro; Melhor Diretor, para André Ristum; e o Melhor Filme do Júri Popular. Depois de subir ao palco seguidas vezes, no momento em que estava nas mãos com o Candango de Direção, Ristum confessou: “Não tenho palavras. Essa sensação aqui é incrível. Este é o prêmio mais importante da minha vida. Este é o festival mais importante do cinema brasileiro”.

Hoje, de Tata Amaral, também conquistou o Juri Oficial do 44º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO e o Troféu da Crítica para longa-metragem. Saiu levando ao todo seis prêmios. Dentre os oficiais, ficou com os de Melhor Filme, Melhor Atriz para Denise Fraga, Melhor Roteiro (para o trio Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald e Felipe Sholl), Melhor Fotografia (Jacob Solitrenick) e Melhor Direção de Arte (Vera Hamburguer). Ao comentar o prêmio de Melhor Filme, no valor de R$ 250 mil, Tata afirmou: “Esse é um prêmio efetivo, que permite que o filme seja lançado. Com este prêmio, o filme vai poder chegar ao mercado”, afirmou. E prometeu: “Nós vamos usar todas as nossas forças para fazer esta história chegar a todos os brasileiros”.

Tata Amaral recebeu o Troféu Candango de Melhor Filme das mãos do Secretário de Cultura, Hamilton Pereira, que fez questão de saudar: “Este festival recebeu os maiores filmes deste ano do cinema brasileiro. Nós queremos que o Brasil se veja cada vez mais na tela”.

Dentre os curtas-metragens, vitória do sensível L, de Thais Fujinaga, que saiu com os Candangos de Melhor Filme, Melhor Direção e o Prêmio da Crítica. “Eu me sinto mais roteirista do que diretora“, disse Thais Fujinaga. “Como roteirista, não sinto esse medo que sinto quando estou dirigindo. Mas eu vou tentar melhorar sempre para fazer com que meus roteiros se realizem melhor nas telas”.

Outro curta que saiu levando três Candangos foi A Fábrica, de Aly Muritiba, que ficou com os prêmios de Melhor Roteiro (Aly Muritiba), Melhor Atriz (Eloina Duvoisin) e Melhor Filme do Júri Popular, que é acompanhado do Prêmio Exibição TV Brasil, num valor total de R$ 20 mil. “Receber o prêmio do júri popular num festival como este, com um público deste, conhecido por ser tão crítico, tão informado, me deixa lisonjeado demais. Eu faço filmes para o público e o melhor que um filme pode ganhar é um prêmio como este”. E, ao saber que a cerimônia estava sendo transmitida ao vivo pela TV Brasil declarou: “Ana, minha esposa, é pra você. Te amo”.

Outro destaque dentre os curtas foi Ser Tão Cinzento, de Henrique Dantas, que recebeu o Prêmio Marco Antônio Guimarães, conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, o Prêmio Aquisição Canal Brasil (no valor de R$ 15 mil), Melhor Montagem (Wallace Nogueira e Henrique Dantas), e Melhor Trilha Sonora (Ilya São Paulo). “Agradeço a Olney São Paulo, um cara guerreiro que me inspirou a fazer tudo o que eu faço. Brasília me fez ser cineasta e agora me faz voltar a acreditar que posso mesmo ser isso, porque às vezes eu duvido, penso que eu deveria estar na roça, plantando”, falou, divertindo a plateia.

Para De lá pra cá ficaram os prêmios de Melhor Som (Kiko Ferraz) e Melhor Ator (para o uruguaio Horacio Camandulle). O brasiliense Imperfeito, de Gui Campos, conquistou o prêmio de Melhor Fotografia para André Miranda e ainda ficou com o Prêmio Vagalume. E o baiano Premonição, de Pedro Abib, ganhou o merecido prêmio de Direção de Arte.

Entre os curtas-metragens de animação prêmios distribuídos entre Menina da chuva, de Rosaria, que conquistou o Troféu Candango pelo Prêmio Vagalume; Rái Sossaith, de Thomate, com o Prêmio de Melhor Animação pelo Júri Popular e Prêmio Exibição TV Brasil; e Céu, inferno e outras partes do corpo, de Rodrigo John, com Melhor Filme do Júri Oficial.

A cerimônia de premiação foi marcada por vários discursos emocionados e também por protestos da classe cinematográfica brasiliense. O ator Rodrigo Santoro, de Meu País, estava visivelmente emocionado ao receber o Prêmio de Melhor Ator. “O reconhecimento no Festival de Brasília tem um valor simbólico e incomensurável”, confessou. “Ter tido o meu trabalho reconhecido aqui, com Bicho de 7 Cabeças, foi importante para o trajeto da minha carreira. Meu País fala do país que está dentro da gente e eu queria dedicar este prêmio ao meu pai”.

Tremendo muito, Denise Fraga, protagonista de Hoje, revelou que, ao prever que ficaria gaga se tivesse que subir e falar em público, escreveu seus agradecimentos. “Este prêmio me deixa especialmente feliz. Estou sentindo um orgulho muito grande de estar na terra do cinema, pisando neste palco cheio de bicho de cinema”, disse. E dirigindo-se a Tata, agradeceu: “As pessoas costumam gostar de segmentar os gêneros. Um ator não pode fazer comédia e drama ao mesmo tempo. Por isso, agradeço a Tata que confiou em mim, que sempre fui identificada como atriz cômica”.

Os prêmios de ator e atriz coadjuvante ficaram, respectivamente com Ramon Vane, de O homem que não dormia, e Gilda Nomacce, de Trabalhar Cansa. Gilda fez um discurso emotivo: “Sou atriz desde os 12 anos de idade. Quero dedicar o prêmio a todas as pessoas que me acompanharam nesta trajetória e especialmente a Juliana Rojas e Marco Dutra, que confiaram no trabalho de uma atriz desconhecida do grande público”.

Ao subir ao palco para receber o prêmio de Melhor Fotografia de Longa-Metragem, Jacob Solitrenick, de Hoje, celebrou: “Esta é a quinta vez que estou concorrendo e ganhei, finalmente. Um candango desse é muito especial, vale muito”. E aproveitou para fazer um apelo: “Já que o Cine Brasília está sendo reformado, queria pedir prioridade para som e imagem, para que o público possa ver o filme exatamente como ele foi concebido”.

A cerimônia viveu um de seus momentos mais especiais quando foi anunciado o Prêmio de Melhor Som para o filme As Hiper Mulheres. Takumã Kuikuro, o cacique Kuikuro e outros integrantes da equipe, incluindo índias com seus filhos no colo, fizeram uma festa, com direito a dança e tudo mais. “Agradeço ao meu povo, que trabalhou comigo, ao cacique que está aqui, às cantoras que trabalharam muito. É uma honra estar aqui”. E o cacique complementou: “Nós somos brasileiros em primeiro lugar. O filme serve para todos vocês conhecerem melhor as nossas tradições. Nós fomos a Nova York e lá não tem mais indígena. Está tudo morto. No Brasil, estamos vivos!”

Rock Brasília – era de ouro, de Vladimir Carvalho, recebeu o Prêmio Saruê, conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense. “Estou vivendo uma duplícima emoção” – disse Vladimir. “Por ter esta orquestra aqui tocando ao vivo, por ter visto a retrospectiva do festival na tela e por ter recebido este Prêmio Saruê, que tem nome inspirado no meu filme (O País de São Saruê)”.

A ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo, que confere o Prêmio ABCV DF, decidiu homenagear o eletricista, contrarregra, maquinista e ator Roque Fritsh, um nome recorrente da produção do cinema de Brasília. Roque fez um apelo: “Queria pedir aos diretores de fora que vêm filmar aqui que contratem os profissionais daqui. Nós temos gente muito boa. Chamem a gente!”

Os prêmios da Câmara Legislativa contemplaram quatro produções do Distrito Federal. Como melhor longa foi escolhido Cru, de Jimi Figueiredo. “Este prêmio é muito importante pra gente. O filme vai estar na semana que vem no Rio de Janeiro”, disse Jimi, que cedeu o microfone para João Paulo Procópio ler um documento no qual comentou as mudanças ocorridas nesta 44ª edição do FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO. Procópio criticou a transferência da Mostra Brasília para o Auditório 1 do Museu Nacional de Brasília e elogiou o diálogo com o Secretário de Cultura, Hamilton Pereira.

Em segundo lugar, na categoria longa-metragem, ficou Sagrada Terra Especulada – A Luta Contra o Setor Noroeste, de Zé Furtado. Acompanhado da equipe, o diretor fez um longo discurso contra a especulação imobiliária e contra a invasão das terras indígenas no local. “Este filme e o prêmio vão servir como ferramenta de luta contra a criação deste Setor Noroeste”, avisou.

Já entre os curtas-metragens, os prêmios da Câmara Legislativa, conferidos somente a produções do DF, ficaram com Deus, de André Miranda, em primeiro lugar, e A arte de andar pelas ruas de Brasília, de Rafaela Camelo.

PRÊMIOS

FILME DE LONGA METRAGEM

Melhor filme – R$ 250.000,00

Filme: “Hoje”, de Tata Amaral

Melhor direção – R$ 20.000,00

André Ristum por Meu País

Melhor ator – R$ 5.000,00

Rodrigo Santoro por “Meu País”

Melhor atriz – R$ 5.000,00

Denise Fraga por “Hoje”

Melhor ator coadjuvante – R$ 3.000,00

Ramon Vane por “O homem que não dormia”

Melhor atriz coadjuvante – R$ 3.000,00

Gilda Nomacce por “Trabalhar cansa”

Melhor roteiro – R$ 5.000,00

Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald, Filipe Sholl por “Hoje”

Melhor fotografia – R$ 5.000,00

Jacob Solitrenick por “Hoje”

Melhor direção de arte – R$ 5.000,00

Vera Hamburger por “Hoje”

Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00

Patrick de Jongh por “Meu País”

Melhor som – R$ 5.000,00

Mahajugi Kuikuro, Munai Kuikuro e Takumã Kuikuro pela captação de som direto de “As Hiper Mulheres”

Melhor montagem – R$ 5.000,00

Paulo Sacramento por “Meu país”

FILME DE CURTA METRAGEM

Melhor filme – R$ 20.000,00

“L”, de Thaís Fujinaga

Melhor direção – R$ 5.000,00

Thaís Fujinaga pelo filme “L”

Melhor ator – R$ 3.000,0o

Horácio Camandulle pelo filme “De lá pra cá”

Melhor atriz – R$ 3.000,00

Eloína Duvoisin por “A Fábrica”

Melhor roteiro – R$ 3.000,00

Ali Muritiba por “A Fábrica”

Melhor fotografia – R$ 3.000,00

André Miranda por “Imperfeito”

Melhor direção de arte – R$ 3.000,00

Raquel Rocha por “Premonição”

Melhor trilha sonora – R$ 3.000,00

Ilya São Paulo por “Ser tão Cinzento”

Melhor som – R$ 3.000,00

Kiko Ferraz por “De lá pra cá”

Melhor montagem – R$ 3.000,00

Wallacee Nogueira e Henrique Dantas por “Ser tão Cinzento”

FILME DE CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Melhor filme de curta metragem de animação – R$ 20.000,00

Filme: “Céu, inferno e outras partes do corpo”, de Rodrigo John

Prêmio do Júri Popular – para os filmes escolhidos pelo público, por meio de votação em cédula própria:

Melhor filme de longa metragem – R$ 20.000,00

E ainda
Prêmio Exibição TV Brasil – R$ 50.000,00
Filme: Meu país, de André Ristum

Melhor filme de curta metragem R$ 10.000,00

E ainda
Prêmio Exibição TV Brasil – R$ 10.000,00
Filme: A Fábrica, de Aly Muritiba

Melhor filme de curta metragem de animação R$ 10.000,00

E ainda
Prêmio Exibição TV Brasil – R$ 10.000,00
Filme: Rái sossaith, de Thomate

OUTROS PRÊMIOS

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Troféu Candango

 Exclusivo para produções do Distrito Federal

Melhor longa-metragem 1º lugar – R$ 75.000,00

Filme: “Cru”, de Jimi Figueiredo

Melhor longa-metragem 2º lugar – R$ 35.000,00

Filme: Sagrada Terra Especulada – a luta contra o Setor Noroeste, de José Furtado

Melhor curta-metragem 1º lugar – R$ 25.000,00

Filme: “Deus”, de André Miranda

Melhor curta-metragem 2º lugar – R$ 15.000,00

Filme: “A arte de andar pelas ruas de Brasília”. de Rafaela Camelo

AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

Incentivo ao Curta-Metragem

Cessão de um Prêmio de Aquisição, no valor de R$ 15.000,00 ao Melhor Curta selecionado pelo júri Canal Brasil.

Filme: “Ser tão cinzento”, de Henrique Dantas

MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES
Troféu Candango

Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira.

Filme: “Ser tão cinzento”, de Henrique Dantas

PRÊMIO ABCV – ASSOCIAÇÃO BRASILIENSE DE CINEMA E VÍDEO

Conferido pela ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo a profissionais do audiovisual do Distrito Federal.

A ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo – muito orgulhosamente, mais uma vez, traz à cerimônia de encerramento do Festival de Brasília o Troféu ABCV. Todos os anos, diretores e produtores do Distrito Federal se reúnem para homenagear profissionais, técnicos, fornecedores, atrizes e atores que, pelos seu talento e dedicação, são peças fundamentais para a produção audiovisual local – e nacional.

Cúmplice de sets e da paixão pelo cinema, nosso homenageado nesta 44ª edição do Festival é Roque Fritsh. Contrarregra, produtor, microfonista, maquinista, dublê – e ator!  Notório profissional do cinema brasileiro, Roque é mais facilmente reconhecido como Chefe Eletricista. Sempre competente. Sempre parceiro. Sempre apaixonante.

PRÊMIO SARUÊ
Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense.

Troféu Saruê
NO ANO EM QUE O FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO FEZ MUDANÇAS IMPORTANTES E IGNOROU A  PREFERÊNCIA POR TÍTULOS INÉDITOS, UM TESOURO CINEMATOGRÁFICA GUARDADO HÁ ANOS E NUNCA EXIBIDA NOS CINEMAS DE BRASÍLIA, EMPOLGOU OS CINÉFILOS EM SESSÕES CALOROSAS E LOTADAS. A EQUIPE DE CULTURA DO JORNAL CORREIO BRAZILIENSE RECONHECE — COM A ENTREGA DO TROFÉU SARUÊ DESTE ANO — O TRABALHO DE PRESERVAÇÃO E TRATAMENTO DAS IMAGENS HISTÓRICAS DO SHOW DA BANDA LEGIÃO URBANA NO MANÉ GARRINCHA EM 1987, APRESENTADAS EM SEQUÊNCIA MAGISTRAL PELO DOCUMENTÁRIO ROCK BRASÍLIA — ERA DE OURO, DE VLADIMIR CARVALHO.
PRÊMIO DA CRÍTICA
Troféu Candango

Melhor filme de longa metragem

Filme: “Hoje”, de Tata Amaral

Melhor filme de curta metragem

Filme: “L”, de Thaís Fujinaga

PRÊMIO VAGALUME

Troféu conferido por integrantes do projeto Cinema para Cegos

Melhor filme de longa metragem

Filme: Meu País, de André Ristum

Melhor filme de curta metragem

Filme: Imperfeito, de Gui Campos

Melhor filme de curta metragem de animação

Filme: Menina da Chuva, de Rosaria

Fonte: Festival de Brasília

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: